Publicado por: Peter | Terça-feira, 21-Fev-2012

Transportes Urbanos

Olá urbanos,

7 da tarde de ontem, aquele movimento felino ficou-me na retina…

Retrocedendo um pouco no tempo. Tive de deixar o carro na oficina para consertar e até ao final da tarde não tive notícias de estar pronto. Carro de substituição também não houve e por isso quando saí do trabalho tive de fazer jogging forçado para chegar a horas à estação de comboios.

A origem daquele comboio, não sei qual era, mas o destino final era Figueira da Foz, embora para mim fosse antes. Headphones nos ouvidos, a ouvir uma melodia que podia servir de banda sonora para uma viagem a qualquer lugar, deparo-me com um pequeno dilema, uma espécie de lotaria. Tinha à minha frente umas 4 carruagens que tinham pessoas que conheço de vista e outras que nunca vi na vida; o que me apetecia naquele momento era continuar no meu mundo induzido até ao meu destino sem ter que ficar junto de alguém conhecido a contar como foi o meu dia e a ouvir como foi o dia dessa pessoa.

Tinha de acertar na carruagem certa, mas qual seria? Não tive tempo para escolher pois o revisor estava a dar sinal de partida para o maquinista; entrei na última!
E correu bem, pois tive de acenar apenas a uma pessoa e continuei até ao fundo da carruagem e sentei-me ao lado de uma desconhecida!

Foi então que tudo se deu!
Nos bancos da frente encontravam-se 4 pessoas, um puto de mais ou menos 7 anos e 3 velhas, uma delas devia ser a avó.
Naqueles 15 minutos de viagem, tive de ajustar várias vezes o volume do iPod pois as senhoras entre conversas de idosas e ralhetes constantes ao rapaz, faziam uma algazarra que mais parecia uma feira de comboio.
O puto era claramente o “macho” dominante naquele galinheiro em movimento, mas era também o mais vulnerável, pois supostamente devia obediência a pelo menos uma das anciãs. Enquanto ele se ajoelhava no chão e se levantava e observava à procura do ponto fraco das velhas e chamava a atenção, veio-me à memória as tardes passadas com a minha avó e as suas amigas, e como eu costumava fazer exactamente o que ele fazia ali… acabava com a tranquilidade das velhas, muitas vezes só para mostrar que só fazia o que queriam se me apetecesse (shame on me!).

Às tantas, no meio daquelas lembranças e daquela algazarra, a “avó” agarra na sua carteira em forma de tijolo (duas vezes maior) com as duas mãos e espeta uma valente “arrochada” no puto como se estivesse a bater num animal feroz que tinha de afastar.
O puto, como que habituado, continuou com o espectáculo até pararmos na estação onde saíram sem fazer caso.
Eu fiquei especado a olhar para a cena que durou na minha retina mais do que durou na realidade.

Quando se levantaram para sair, surgem 4 homens vindos da carruagem seguinte que se juntaram a elas em conversa; nitidamente eram maridos e filhos das 3 velhas. Fiquei a pensar porque será que estavam tão afastados e acho que percebi porquê…

Adeus e cuidado com os transportes urbanos!

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Responses

  1. AHAHAH! Lembra-te, Pedro, da próxima observa primeiro onde se sentam os homens. Aí é a ala do sossego. :b


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