Publicado por: Peter | Terça-feira, 18-Dez-2012

Carta ao Pai Natal

Caro Pai Natal,

Escrevo-te esta carta já um bocado em cima do acontecimento, o Natal. Sei que deves andar atarefadíssimo, mas mesmo assim resolvi escrevê-la. Não é para te pedir nada embora tenha a certeza de que me portei à altura de receber um presente.

Quando chega este época festiva, vêm-se clones teus por todo o lado e todos se acham no direito de distribuir “Ho-ho-hos” como se não houvesse amanhã. Mas eu pergunto-me se há algum que consiga fazer as coisas espantosas que tu fazes todos os anos desde que foste inventado? Pergunto-me se há alguém que consiga numa noite só fazer tantas entregas que qualquer operador de logística levaria um mês inteiro a fazer com uma equipa de centenas de homens. E ainda por cima, ter de saber quem merece (se foi bom ou menos bom) este ano.

Penso muitas vezes em coisas tão simples como por exemplo: Como é que raio consegues passar por uma chaminé que tem exaustor? Isso deve atrasar-te tremendamente. Como é que se faz uma viagem tão grande como daqui à Lapónia num trenó descapotável e ainda por cima puxado por renas, que diga-se de passagem, não são os animais mais asseados. Lembro-me logo dos cavalos da GNR que quando passam lá na rua, deixam grandes presentes na calçada e fico a pensar que essas renas que tanta alegria ajudam a distribuir pelo mundo também têm as suas necessidades e a correr lá nas alturas, podem uma vez por outra descuidar-se sobre um transeunte mais azarado. Frio não deves ter, com todo o stress e correrias das entregas de última hora e esse físico que não é cultivado num ginásio de certeza absoluta!

Quando eu era um petiz, sei que tinhas um ajudante ou concorrente. Nunca consegui distinguir muito bem. A minha avó dizia-me para pôr uma meia ou um chinelo em cima do fogão para o “Menino Jesus” deixar lá uma prenda de Natal. Ora, nessa altura, eu não sabia muito bem quem me trazia o presente, mas o que realmente me preocupava era olhar para o tamanho da meia e pensar que o presente não poderia ser muito grande, porque senão não cabia! Eu tinha de arranjar outra solução ou esperar que tivesses recebido (tu ou o menino Jesus) a carta que eu escrevera atempadamente. E uma coisa era certa: a carta de certeza que lá chegava ao destino porque a minha mãe era funcionária dos CTT e percebia dessas coisas de correio internacional.

Passados estes anos todos, ainda tenho algumas dúvidas e questões sobre toda esta grande operação de marketing, mas não me é permitido expô-las devido aos filtros e entraves que a sociedade actual nos coloca.

Para terminar quero apenas sugerir que uses o elevador para vir cá a casa. Não tive tempo de mudar o filtro ao exaustor e não tenho nenhuma lareira, o que é provável que te deixasse um bocado “farrusco”, ou então deixa na varanda que eu de manhã logo vejo o que lá deixaste.

Aquele abraço e não te atrases.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: